Prof. Cavalcanti
Realidade:
Senso comum: o sensível
Filosofia: justamente o contrário
O que é o “contrário” da noção do senso comum?
A Filosofia, em geral, tende a eleger toda e qualquer aparição como exercício de linguagem, a partir daquilo que se põe À MOSTRA, isto é, À VISTA.
Pôr-se à mostra é uma atividade do Absoluto: Schelling
Pôr-se à mostra é um aclarar-se da physis: Heidegger. Donde então, surge o termo clareira, no sentido de ser um ABERTO “identificável” (destacado) da floresta densa e “informe” (Ovídio, Metamorfoses). Então, podemos dizer o caos. O originário é a floresta, e a clareira é a “sombra” de Platão.
Pôr-se à mostra é a praxis, ENTRETANTO desprovida do questionar donde vem. Essa pergunta donde vem é que remete ao ocultar (ocultação) da physis. Porque physis é um termo que designa um saber dos antigos-gregos, expresso INDISSOCIAVELMENTE de uma sentença:
physis kriptestai phylei, isto é:
A “natureza” o velar-se ama, na ordem direta: a natureza ama velar-se. O velamento é a ocultação, aquilo que permanece DESCONHECIDO, ou seja, fora da aclaração. Chamamos hoje isso de MISTÉRIO. A natureza é ocultação e desvelo. Na verdade, seria a re-velação, isto é, velar outra vez, porque assim que aparece, remete ao que não apareceu, por definição e hipótese.
Realidade – o que é isto?
1 – É a physis? (antigos-gregos: pré-socráticos. Porque Platão considera a realidade o mundo das ideias. Isso significa apenas “o ocultamento”, e não o desvelo)
2 – É o desvelo (aclaração)? (“modernos”, isto é, românticos “e contemporâneos”)
3 – É a linguagem (com Schelling, con-formação e in-formação das coisas) no intelecto/consciência? (Romantismo de Jena: Schelling, Novalis, Schlegel, Fichte, Hegel, Hoderlin, etc.)
4 – É o sensível? (senso comum). Este senso comum é reflexo da praxis, ou seja, é a consumação do conceito marxista de verdade. Habermas vai chamar isso de ESFERA PÚBLICA.
A arte é produção de sentidos. Para ser produção, o produzir se dá como techné. Porque o produzir é a técnica. Porém, o “produzir-sentidos” faz a forma se indeterminar.
O que é sentido? Sentido é o significado particular que uma pessoa extrai de um significado facultado por um signo linguístico. Daí, o sentido esdtá atreladdo ao estilo/expressão (conceito ling), enquanto o significado está atrelado à língua, ao repertório do léxico e da gramática.
Produzir sentidos é tornar o signo plurissignificativo. Nesta transformação, o signo passa a expressar uma ficção. Mesmo no realismo, os nomes co-incidem com os reais/referentes, mas já significam outra coisa, uma coisa ficcional, a partir do real.
Tornar o signo plurissignificativo é subverter o significado (atrelado à língua, ao repertório léxico), oportunizando outros matizes. Matizar o signo linguístico é produzir sentidos. Esse fenômeno se chama LITERATURA.
Portanto, a arte definida como mimesis criadora possui as seguintes vicissitudes:
a) a orientação platônica para o entendimento da mimesis. Tradiconalmente, atribui-se a Platão a definição de mimesis como representação criadora, mas vemos em Grassi que isso é uma falseação acadêmica das mais sólidas na universidade.
b) a significação de “criadora”. O adjetivo “criadora” pode ser atribuído, por exemplo, às tecelãs. Podemos dizer que o pedreiro é criador de paredes. Isso significa que ele, fazendo mimesis de outras paredes, e criando uma nova, fez arte? O sentido de “criadora” aqui tem contornos de invenção que se “independentiza” do real. Ora, para que isso aconteça, é preciso que esse processo relativo à palavra “criadora” seja desrealizante. Portanto, dizer que a arte é mimesis desrealizante já corrige a definição.
c) a enorme limitação das possibilidades de criação. A arte como mimesis criadora não concebe, por exemplo, as imagens puramente formais como “cão sem plumas”. Somente o adjetivo “criadora” permite a criação dessa imagem, mas automaticamente o substantivo “mimesis” proíbe, porque sempre à representação, e no real não há “cão sem plumas” para serem representados no papel.
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